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terça-feira, 2 de junho de 2026

Tarifa de 25% dos EUA pode atingir cerca de 27% das exportações brasileiras

   Postado Por: Elinho Promoções

A tarifa de 25% proposta pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode atingir 26,9% das exportações do Brasil ao mercado americano, segundo cálculo do economista Sérgio Vale divulgado pela Folha de S.Paulo. A estimativa aponta que os principais impactos devem recair sobre produtos industrializados, especialmente máquinas e equipamentos, madeira e manufaturados, além de produtos elétricos.

De acordo com o levantamento do economista da MB Associados, o Brasil exportou US$ 2,36 bilhões em máquinas e equipamentos para os Estados Unidos no ano passado. No caso de madeira e manufaturados, as vendas somaram US$ 1,24 bilhão em 2025. Já os produtos elétricos, como transformadores, movimentaram cerca de US$ 920 milhões. “Basicamente foram afetados produtos industrializados. Cerca de um quarto dos impactados são máquinas e equipamentos”, afirmou o economista à Folha.

A proposta de nova tarifa foi apresentada após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da legislação comercial americana. O órgão recomendou a aplicação da sobretaxa como resposta a práticas brasileiras consideradas injustas pelo governo americano.

Apesar da proposta, a decisão final sobre a aplicação ou não da tarifa caberá ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Antes disso, o USTR abrirá uma consulta para que o setor privado se manifeste sobre os resultados da investigação. O relatório definitivo deverá ser publicado até 15 de julho.

Segundo a MB Associados, a lista de produtos isentos representa US$ 21,2 bilhões, ou 56,3% do total de US$ 37,7 bilhões exportados pelo Brasil aos Estados Unidos no ano passado. Entre os itens excluídos da nova tarifa estão produtos considerados estratégicos para a economia americana ou com oferta doméstica insuficiente.

A lista de exceções inclui alimentos e produtos agropecuários, como carne bovina, suco de laranja, castanha-do-pará, castanha de caju, coco, banana, manga, mamão, abacaxi, laranja, limão e outras frutas tropicais. A indústria aeronáutica também ficou fora da taxação adicional proposta.

Outros 16,8% das exportações brasileiras aos Estados Unidos estão sendo analisados em outra frente da legislação americana, a Seção 232. Nesse grupo estão produtos como aço, veículos, autopeças, alumínio, derivados de aço e cobre. Esses itens não foram incluídos na lista de isenção, mas também não estão diretamente sujeitos à nova tarifa de 25% proposta na investigação da Seção 301.

Para Sergio Vale, a medida pode encarecer produtos para o consumidor americano e reduzir a eficiência da economia dos Estados Unidos, apesar da intenção declarada do governo Trump de estimular a produção interna. “Nesse sentido, era esperado que houvesse um aprendizado em evitar taxar aquilo que causa processo inflacionário imediato por não ter substituto doméstico, mas continua a ideia equivocada de que os EUA produzirão mais desses produtos que vão deixar de comprar do Brasil”, avaliou.

O economista defende que, diante do cenário, empresas brasileiras busquem ampliar a diversificação de mercados.

*Com informações da Folha de São Paulo

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