O médico ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, foi preso ontem quarta-feira (6), no Paraná, acusado de abusar sexualmente de uma paciente durante o trabalho de parto na cidade de Teixeira Soares, na região central do estado. Em abril, outras três mulheres denunciaram o médico por abuso sexual durante atendimentos.Play Video
Segundo informações divulgadas pelo G1, a vítima relatou à Polícia Civil que o abuso aconteceu durante um exame antes do parto. De acordo com o delegado Rafael Nunes Mota, a mulher afirmou que o médico passou cerca de cinco minutos tocando sua genitália sem justificativa médica aparente.
“Ela relatou que foram cinco minutos do médico ginecologista passando a mão na parte externa da sua genitália. Informou ter tido outros filhos e nunca ter passado por isso. Só cessou após a entrada de uma enfermeira na sala”, disse o delegado.
A investigação enquadrou o caso como estupro de vulnerável. Segundo a Polícia Civil, a paciente estava em condição de vulnerabilidade e impossibilitada de oferecer resistência durante o atendimento.
Felipe Lucas foi preso em Curitiba. Apesar da prisão preventiva, a defesa informou que poderá solicitar prisão domiciliar em razão da idade do médico. Em nota, os advogados afirmaram que consideram a prisão “ilegal”, classificaram a acusação como “completamente falsa” e disseram que o profissional provará inocência no decorrer do processo.
O novo caso veio à tona após a vítima procurar a polícia ao tomar conhecimento de outras denúncias contra o médico. Segundo a Polícia Civil, os relatos apresentam semelhanças e indicam “um padrão de comportamento ao longo de décadas”.
Os investigadores afirmam que muitas vítimas deixaram de denunciar anteriormente por medo da influência política e social do médico. “Antes achavam que não ia dar em nada se registrassem a ocorrência, mas agora viram que deveriam ter relatado antes”, afirmou o delegado Luis Henrique Dobrychtop.
A primeira denúncia formal foi registrada por uma mulher de 24 anos, atendida pelo ginecologista em fevereiro deste ano na rede pública de saúde. Ela afirmou ter sofrido “massagens íntimas” durante uma consulta e relatou forte abalo emocional após o atendimento.
“A primeira vítima relatou que, durante o exame, o médico realizou massagens íntimas, alegando ser uma orientação para o estímulo da libido, uma conduta que, segundo especialistas, não tem nenhum respaldo na medicina”, justifica o delegado.
Outras duas mulheres relataram supostos abusos ocorridos em 2011 e 2016. Em um dos casos, a vítima afirmou que o médico realizou repetidos exames de toque durante acompanhamento pré-natal, mesmo após ela reclamar de dores intensas.
Embora esses relatos não possam gerar novos processos devido à prescrição, eles serão anexados ao inquérito principal para reforçar a investigação em andamento.
Felipe Lucas atua como médico desde 1975 e possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR). Em 2024, ele recebeu homenagem do órgão pelos 50 anos de profissão. Além da carreira médica, também teve trajetória política em Irati, onde foi vereador, prefeito e deputado estadual por dois mandatos.
*Com informações do G1

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