Os Correios vão reabrir, a partir da primeira semana de fevereiro, as inscrições para o Plano de Desligamento Voluntário (PDV) voltado aos empregados da estatal. A participação no programa é individual e facultativa, com prazo de adesão até o dia 31 de março. Os desligamentos previstos no plano devem ser concluídos até o fim de maio.
De acordo com comunicado divulgado pela empresa em dezembro, a expectativa é que o PDV tenha potencial de adesão de até 15 mil trabalhadores entre 2026 e 2027. A estimativa é de uma economia anual de R$ 2,1 bilhões nas despesas com pessoal, com impacto financeiro pleno a partir de 2028.
Atualmente, os Correios contam com mais de 82 mil empregados próprios e cerca de 10 mil trabalhadores terceirizados em todo o país. O novo programa integra a Fase 1 do Plano de Reestruturação econômico-financeiro da estatal para o período de 2025 a 2027.
Mudanças nas regras do PDV
O PDV 2026 mantém o incentivo financeiro adotado no plano anterior, realizado em 2025, mas traz alterações importantes nas regras de adesão. A principal mudança é o fim da restrição de idade máxima, que antes limitava a participação a empregados com 55 anos ou mais.
Com as novas regras, qualquer empregado poderá aderir ao plano, desde que tenha pelo menos dez anos de vínculo com a empresa e tenha recebido remuneração por, no mínimo, 36 meses nos últimos 60 meses. O desligamento, no entanto, não poderá ocorrer após o empregado completar 75 anos.
Outro ponto destacado pela empresa é a possibilidade de adesão ao Plano de Saúde Família, que poderá ser mantido pelo empregado e seus dependentes após o desligamento, com mensalidades reduzidas e cobertura regional.
O Plano de Desligamento Voluntário de 2025 teve adesão de cerca de 3,5 mil empregados, número considerado abaixo do esperado pela direção da estatal.
A reabertura do PDV faz parte de um conjunto mais amplo de medidas adotadas para enfrentar a crise financeira dos Correios. Em dezembro, a empresa anunciou a captação de R$ 12 bilhões em crédito para viabilizar o plano de reestruturação, que prevê redução de despesas da ordem de R$ 5 bilhões até 2028.
Entre as ações previstas estão o fechamento de cerca de mil agências consideradas deficitárias, a venda de imóveis ociosos e a reorganização da rede de atendimento e distribuição. Atualmente, a estatal possui mais de 10,3 mil unidades de atendimento em funcionamento em todo o país.
Segundo diagnóstico interno, os Correios enfrentam um déficit estrutural superior a R$ 4 bilhões por ano, além de patrimônio líquido negativo de R$ 10,4 bilhões e prejuízo acumulado de R$ 6,057 bilhões até setembro de 2025. Os dados consolidados do último ano ainda não foram divulgados.
BNews Natal

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